sexta-feira, 20 de maio de 2011

4a Mostra Marília de Cinema traz à cidade o cinema brasileiro contemporâneo

Entre curtas, médias e longas serão exibidos mais de 30 filmes em 4 dias, sempre com entrada franca. Programação ainda inclui oficinas, debates, lançamentos, exposição e shows



A 4a Mostra Marília de Cinema, uma realização da Kinoarte, produção da Hora H e patrocínio do Governo do Estado de São Paulo, começa nessa quinta e prossegue até domingo trazendo à cidade o melhor da produção contemporânea. Serão mais de 30 filmes entre curtas, médias e longas, com destaque para o cinema brasileiro independente e produções locais inéditas: “Pela primeira vez teremos um cineasta mariliense concorrendo ao Troféu Seu Dito na Competitiva Nacional de Curtas”, destaca Bruno Gehring, presidente da Kinoarte e um dos coordenadores da Mostra. É o caso do cineasta Marcelo Toledo, co-diretor do curta-metragem “Cynthia”, um dos 12 filmes que integram a Competitiva Nacional de Curtas. O filme será exibido nesse domingo, dia 22, às 19h, no Cine Esmeralda, com entrada franca.

Homenagens

Haverá também uma boa surpresa aos marilienses já na noite de abertura da Mostra: “Entre os homenageados desse ano está o fotógrafo português radicado em Marília Manoel Joaquim Pires, autor das famosas fotos que celebraram os Festivais promovidos pelo Clube de Cinema de Marília nos anos 1960. Iremos exibir um filme que ele rodou em 1962 quando o então presidente João Goulart visitou a cidade. Trata-se de um curta-metragem de aproximadamente 13 minutos rodado em 16mm e que raramente foi exibido. O filme tem uma importância fundamental pois é um raro registro cinematográfico da cidade nos anos 1960”, explica o coordenador geral da Mostra, o cineasta mariliense Rodrigo Grota. Manoel Joaquim Pires é autor, por exemplo, das cultuadas fotos de Leila Diniz em Marília, registro que motivou a realização do curta-metragem “Os Olhos Não Têm Cerca” na Mostra do ano passado.
Outra homenagem fundamental será ao cineasta italiano radicado no Brasil Andrea Tonacci, autor de dois clássicos do cinema brasileiro: “Bang Bang” e “Serras da Desordem”, considerado por muitos críticos o melhor filme brasileiro da última década. Autor de uma linguagem inventiva e ao mesmo tempo crítica e rigorosa, Tonacci atravessou quatro décadas aliando experimentalismo e pesquisas antropológicas, com destaque para a temática indígena. “Tonacci é um cineasta único no cenário contemporâneo do cinema brasileiro. Possivelmente o mais íntegro; certamente o mais radical. A forma como ele vê um filme, como pensa a linguagem, como conceitualiza os seus trabalhos remete a um certo rigor que não vemos na produção contemporânea. É praticamente um artista do renascimento em pleno século 21”, avalia Rodrigo Grota. Nessa homenagem a Tonacci serão exibidos os já citados “Bang Bang”, “Serras da Desordem”, além dos raros “Olho por Olho” e “Interprete Mais, Pague Mais” – esse último um trabalho pouco visto, provavelmente o primeiro longa brasileiro a ter sido rodado no formato vídeo. Tonacci virá ao festival – ele integra o Júri da Competitiva Nacional de Curtas ao lado do crítico de cinema Rodrigo de Oliveira e do curador William Hinestrosa. Na sexta, às 16h, Tonacci irá conversar com o público sobre a sua obra no Clube de Cinema de Marília.

Destaques



]Entre os destaques da programação desse ano estão o longas brasileiros “Além da Estrada”, de Charly Braun, “Filhos de João – Admiráel Novo Mundo Baiano”, de Henrique Dantas, e “Cabeça a Prêmio”, de Marco Ricca; a animação francesa “O Mágico”, inspirada em uma história de Jacques Tati; “Filme Socialismo”- o mais recente filme do mestre francês Jean-Luc Godard; além do último trabalho do realizador americano Francis Ford Coppola – “Tetro”. A Mostra nesse ano também irá exibir médias-metragens, caso de “Laura”, documentário de Fellipe Barbosa, e “Coisas Perigosas e Belas”, filme co-dirigido pelo mariliense Marcelo Toledo e que na Mostra Marília terá sua primeira exibição pública.

Shows


Durante os quatro dias da Mostra haverá também o projeto Barbada no Cão Pererê, uma realização da Kinoarte que alia apresentações musicias e discotecagem temática. Na quinta, dia 19, o destaque fica para o projeto Out Track, de Assis, liderado por Diego Max. Na mesma noite haverá uma discotecagem de jazz em vynil coordenada pelo escritor mariliense Rodolfo Arruda Leite de Barros. Na sexta a banda local Vitrola Vil irá apresentar o repertório do seu CD, junto ao DJ Ed Groove e à Discotecagem Barbada (Funk Groove), de Londrina. No sábado Os Rélpis, de Araraquara, se apresentam junto à discotecagem de André Jundi, DJ residente do Cão Pererê. E no domingo o baterista Lucas Melo recebe convidados para a jam session Girl You Know the Reason Why, que irá misturar jazz e rock.

Atividades paralelas


Ao longo de toda a Mostra haverá uma série de atividades paralelas – a partir dessa quinta a fotógrafa Paula Mello mostra o registro fotográfico realizado a partir de cursos promovidos esse ano pela Oficina Cultural Tarsila do Amaral. A exposição “Imagens e Olhares Artísticos” irá permanecer em cartaz até o dia 22 no saguão de entrada do Cine Esmeralda. No sábado a partir das 19h o escritor mariliense Ramon Barbosa Franco lança o seu primeiro livro: “Contos do Japim”, com preço especial de lançamento (R$ 20) também no saguão de entrada do Cine Esmeralda. Na noite de abertura serão lançadas as duas últimas edições da Revista Taturana, uma publicação da Kinoarte voltada ao cinema independente.

Oficinas


Assim como nos anos anteriores, a Kinoarte nesse ano está promovendo a Oficina de Realização em Cinema – cerca de 30 alunos estão produzindo um curta que irá estrear no domingo, dia 22, às 21h30, no Cine Esmeralda. A Oficina é coordenada por Bruno Gehring (produção), Guilherme Gerais (fotografia), Henrique Ventorin (montagem), Rodrigo Grota (direção e roteiro) e Thalita Rubio (direção de arte) e está sendo realizada na Elam (Escola Livre de Artes de Marília) e na Oficina Cultural Tarsila do Amaral. Em fevereiro a Kinoarte também promoveu na cidade uma Oficina de Roteiro (do qual resultaram 7 roteiros para curta-metragem) com Rodrigo Grota, e uma Oficina de Videoclipe com Bruno Gehring e Felipe Augusto – dessa Oficina resultou o clipe da música “Babe”, da banda local Vitrola Vil.

Ciclos

O escritor e cineasta mariliense Edu Reginato, radicado no Rio de Janeiro desde 1999, tem apresentado desde a última segunda na Sala de Projeção Municipal um Ciclo de Terror, incluindo os filmes “Onibaba, a Mulher Diaba”, clássico dos anos 1960 dirigido por Kaneto Shindô; “Inverno de Sangue em Veneza”, obra-prima de Nicolas Roeg; o raríssimo brasileiro “As Filhas do Fogo”, do cineasta paulista Walter Hugo Khouri; e “A Tortura do Medo”, filme pouco conhecido do britânico Michael Powell, considerado por Martin Scorsese o melhor filme já feito sobre cinema ao lado de “8 e Meio”, de Federico Fellini. O ciclo integra um novo projeto de exibição: o Cine Tarsila, uma parceria entre a Kinoarte, a Mostra Marília de Cinema e a Oficina Cultural Tarsila do Amaral. Em fevereiro já havia sido realizada a 1a Semana do Cinema Brasileiro, ciclo que trouxera à cidade filmes nacionais contemporâneos que não chegariam ao circuito comercial local.

Curtas

Outro destaque da 4a Mostra Marília é a Competitiva Nacional de Curtas-Metragens. Nesse ano foram inscritos 291 trabalhos de todo o Brasil – apenas 12 curtas foram selecionados. Os filmes concorrem ao Troféu Seu Dito em 10 Categorias (Melhor Filme – Júri Oficial, Melhor Filme – Júri Popular, Melhor Direção, Roteiro, Fotografia, Direção de Arte, Montagem, Trilha Sonora, Ator e Atriz). O Melhor Curta segundo o Júri Oficial recebe também um prêmio de R$ 5 mil. Nesse ano haverá também um Troféu Seu Dito concedido pela Revista Taturana ao Melhor Projeto Gráfico.

A 4ª Mostra Marília de Cinema, uma realização da Kinoarte com produção da Hora H Produções, conta com patrocínio do Governo do Estado de São Paulo, Secretaria de Estado da Cultura – Programa de Ação Cultural – 2010, e apoio cultural da Prefeitura de Marília – Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Cine Esmeralda, Clube de Cinema de Marília, Elam – Escola Livre de Artes de Marília, Oficina Cultural Regional Tarsila do Amaral, Cão Pererê, Revista Taturana e Studio Imaje.

Mais informações sobre a 4a Mostra Marília de Cinema pelos telefones (14) 3422 2755, (11) 8216 6644, (43 9902 2669) e no site mostramarilia.com.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Californication (porque eu gosto tanto dessa série)

Eu sou um grande fã de séries. Atualmente são as peças que têm os melhores roteiros, as melhores histórias e atores que se superam (talvez pelos salários muito mais interessantes do que no cinema).

Uma das séries que eu acho sensacional é Californication. Começa pela abertura, uma linda mistura de imagens em formatos errados que se fosse eu que tivesse tentado montar, teria ficado uma merda. Mas não, ficou bacana e divertida.

Mas não é isso que importa. É o conteúdo. Quando comecei a ver achei que era a tentativa de fazer o David Duchovny voltar a ser cool, pós X Files, usando muito sexo e humor machista. Na verdade é longe disso. Aos poucos percebe-se que é uma honesta série sobre as desventuras de um cara que vive se fodendo com o grande amor dele e ao invés de ficar se lamentando, cai na vida de cabeça pra afogar suas frustrações. Isso para ser simplista. É muito interessante ver ainda que o mulherengo Hank Moody é na verdade um apaixonado, um cara verdadeiro no meio de hipócritas, um "feminista", e alguém com uma vida realmente rock n roll. Um puta personagem legal.

Dito isso, existem momentos sensacionais que tenho que postar, como a carta dele para a garota da vida dele. Ele ve seu relacionamento terminar, por simples insegurança, e apesar de toda carapaça cool, ele se entrega numa carta super sincera para tentar recupera-la.


"Querida Karen,

se está lendo isso é porque eu tive coragem de mandar. Bom para mim. Não me conhece muito bem, mas se deixar,tenho tendência de falar que tenho dificuldade para escrever.

Mas isso...

É a coisa mais difícil que já tive que escrever. Não há maneira fácil de dizer, então vou falar logo. Conheci uma pessoa. Foi um acidente, eu não estava à procura. Foi uma tempestade perfeita. Ela falou algo, eu também. Quando vi, queria passar o resto da minha vida nessa conversa. Agora estou com a intuição de que ela pode ser a mulher certa. Ela é totalmente louca, de um jeito que me faz sorrir,altamente neurótica. Exige uma grande quantidade de renovação. Ela é você, Karen. Essa é a boa notícia. A má é que não sei como ficar com você nesse momento.
E isso assusta pra caralho. Porque se não ficar com você agora, sinto que nos perderemos. O mundo é grande, mal, cheio de reviravoltas. As pessoas costumam piscar e perder um momento. O momento que poderia mudar tudo. Não sei o que está acontecendo entre nós, e não sei porque deveria gastar seu tempo comigo. Mas como seu cheiro é bom! Como o lar. E faz um ótimo café, isso tem que valer alguma coisa. Me liga.

Seu infiél,
Hank Moody."

É isso aí... uma declaração foda. E durante a série é perceptível que ele sofre de uma solidão muito mais profunda que qualquer coisa. Eu chorei quando vi esse episódio (temporada 2, episódio 10).

Observação para os românticos de plantão: não usem essa carta no mundo real.

Outro momento sensacional foi como ele descreveu sua disponibilidade para as mulheres na 3a temporada:

"É meu purgatório, na verdade. Jantares, bebidas, o que seja. Não fico interessado, mas
digo que é linda mesmo assim.

Porque é verdade, todas as mulheres são, de um jeito ou outro. Sempre tem algo sobre cada uma de vocês, um sorriso, uma curva, um segredo... Vocês damas são mesmo as criaturas mais incríveis. A obra da minha vida.

Mas, então, vem a manhã seguinte. A ressaca, e percebo não ser tão disponível como pensei na noite anterior.

Então, ela vai embora. E sou assombrado por mais um caminho não percorrido."

Um diálogo muito bacana, que não vejo tão fácil no cinema atual. Ta vendo? Californication é bom sim. Corre assistir.

sábado, 26 de março de 2011

Artigo fodástico sobre o Kyuss

roubado descaradamente daqui:

http://www.guardian.co.uk/music/2011/mar/25/kyuss-stoner-queens-stone-age


Usem o tradutor do google e leia, é lindo. Vale a pena.

Kyuss: Kings of the stoner age

Unheralded in their own time, Kyuss inspired a generation of bands in thrall to their downtuned metal. Now, in the form of Kyuss Lives!, they're back. Dorian Lynskey hears their tale



kyuss lives
Kyuss Lives! (left to right) John Garcia, Brant Bjork, Nick Oliveri and Bruno Fevery

'I didn't think that at 40 years of age I would still be talking about generator parties," Kyuss frontman John Garcia says with a puzzled sigh. "It's weird that people are actually interested. It was just a party. We've all been to parties." This much is true, but then we haven't all been to parties that spawned whole musical genres, forging an alliance between sound and place that retains a mythic glow 20 years later.

The generator parties that took place in the deserts of southern California at the close of the 80s were the making of Kyuss, who trailblazed the crushingly heavy psychedelic rumble described by pretty much everyone except the musicians themselves as stoner rock or desert rock. Kyuss's classic lineup – Garcia, guitarist Josh Homme, bassist Nick Oliveri, drummer Brant Bjork – only lasted for two years, the band for just five, and they never had anything approaching a hit, but their posthumous legend grew and grew. After they split, Homme and Oliveri formed Queens of the Stone Age. Garcia carried the stoner rock torch in Unida, Slo Burn and Hermana; Bjork in Fu Manchu. Producer Chris Goss went on to work with Queens, Mark Lanegan and UNKLE. Now all of the classic-era members except Homme are touring as Kyuss Lives!, a name both tongue-in-cheek and genuinely deserving of its exclamation point.

Stoner rock draws much of its allure from its desert origins, though Garcia, who speaks with a modesty and calm more in keeping with his other life as a vet than his rock career, resists the cliches. "I'm not going to get Jim Morrison on you about how the desert is this all-too-mysterious place." He pauses. "I guess it can be when you're tripping on 'shrooms. And acid. Which I've done in the past. But then you snap out of it and come back to reality. We're only two hours away from Los Angeles so it's not like we're smack bang in the middle of fucking nowhere. You'd be surprised what's out here."

Raised by a single mother, Garcia grew up in the resort town of La Quinta and went to school in nearby Palm Desert. A US magazine once called it one of America's most rock'n'roll towns; Garcia demurs. "You think it's gonna be this inspiring, beautiful little one-horse town, when actually it rivals Beverly Hills. It's stupid." His schoolmates included Bjork, Oliveri and Homme. "We all played football together, but we weren't on the preppy side of high school. After football practice I went behind the bleachers and started smoking weed."

In 1988, they formed Katzenjammer and rehearsed in their bedrooms. In the absence of any all-ages rock venues in town (Homme was just 14 when they formed), they made their bones at the generator parties in the desert around Joshua Tree, organised by Mario Lalli of beloved local band Yawning Man, whom Bjork once described as "the sickest desert band of all time". Lalli supplied the generator; others provided beer, barbecue and hallucinogens. There would be bonfires, occasional nudity and long, intense sets that wound on through the night. The sand got everywhere – in your amp, in your drink, in your eyes – but it was worth it for the freedom.

"It was do-it-yourself fun," Homme once told me. "The kids were like: we won't be stopped. Because they got stonewalled at every turn: sit down! They refused to sit down. If you don't provide us with something to do, we'll provide ourselves with something to do. I like that. It was communal. Someone has to bring the potatoes, someone has to bring the bread and butter, and the Mexicans brought the acid."

"It was out of necessity," Garcia says. "We played house parties, too, but it was much better going out into the desert where there was no authority. Occasionally the cops would show up, but what could they do when everyone just scatters?" The police weren't the only danger though – the desert was crystal meth country. "Sometimes you'd get gangbangers showing up with knives and guns," says Garcia. "As soon as that started happening, I left."

By the time the generator scene waned, Katzenjammer had become Sons of Kyuss (after a monster in Dungeons and Dragons) and eventually just Kyuss, which is when they attracted the attention of Chris Goss. Goss, a decade or so older, was from Syracuse, New York, but he moved to Los Angeles in 1988 when his band Masters of Reality signed to Rick Rubin's Def American label. He was consciously trying to claw hard rock back from the hairspray-and-spandex crew. "The 80s became all about image and clothing and hair," he says. "I was like, what about the brain? What about the LSD? What about the effect that ethereal music had on our minds? What happened to mystique and the river running deep with intelligence?" He goes on in this vein for some time, like some beat poet turned travelling preacher, seemingly every bit as energised now as he was back then. "If you're a mental explorer then that's the kind of musician I'm attracted to. Someone who wants to break boundaries and change our DNA with their work."

Def American's promotional department, however, interpreted Goss's love of psychedelia a little too literally. "They gave away lava lamps as promo gifts," he sighs. "Tie-dye T-shirts, too. To me it was like, no goddamit, that's too campy. It's not about looking back, it's about looking forward."

One night in 1990, he went to see Kyuss play in Hollywood (their shows usually ended in fights) and found the kindred souls he had been looking for. He travelled south to work with them and only came back to LA to tell his wife they were moving to the desert for good. He's still there today. "They swung like motherfuckers," he says. "They were tuned down really low and they did it in a very unprofessional way, which improved it. With the low frequencies and the strings flapping so much, a giant soundwave would happen when they played. And that's why I stepped in and said, 'I'm not letting any shithead metal producer touch this band and ruin it.'"

Heavy metal's psychedelic forefathers, Black Sabbath and Blue Cheer, were usually the first names invoked when people heard Kyuss, but Homme always shrugged them off. "I never really listened to metal," he later told Spin. "I wanted to be able to claim that I'd never heard the music that supposedly influenced me." He instead cited punk rock, especially the dense, sludgy hardcore of Black Flag's 1983 album My War. "I was listening to the Smiths and the Cult; the rest of the guys were listening to the Misfits, Bad Brains, Black Flag, the Ramones," Garcia says. "We knew that we wanted a sound that nobody else had."

Kyuss's gargantuan sound rested on two pillars: Homme's guitar, downtuned and played through a bass amp, and the rhythm section's quaking grooves. Disappointed by their first album, 1991's Wretch, the band were happy to work with Goss on the follow-up, Blues for the Red Sun. "They rehearsed in Josh's bedroom in his parents' house, and to hear every detail I would sit in the middle of the floor, to the detriment of my hearing," Goss remembers. "It was the loudest thing I'd ever heard in my life. And that's what I wanted to get on the record – all the frequencies clashing in the middle of the room. It was like sitting in the middle of a bowling alley when the balls are rolling down the wood. Kyuss had a rumble. I think that's one of the reasons people love them so much, because there's frequencies there that embrace you – you feel like you're there with them."

Their label milked Kyuss's stoner image with all the subtlety of Rick Rubin's lava lamps, billing Blues for the Red Sun as "a fresh bong load of potent, sticky and hairy musical salvation". But there was nothing gimmicky about the record itself. Dave Grohl was a fan. Metallica invited them to support them on tour. Elektra gave them a major deal. At the same time, members kept leaving: Oliveri after Blues for the Red Sun, Bjork after 1994's Welcome to Sky Valley. With 1995's … And the Circus Leaves Town, they called it a day. "Sometimes to preserve it you have to destroy it," Homme told me. "Don't let it slide down the hill. When you're at the peak say, 'Here we are' and – snip – end it."

"For me the best thing that ever could have happened was Kyuss breaking up," says Garcia. "I was taking things for granted. That John Garcia's long gone. I don't even know that kid anymore and if I were to see him today, I would slap him around and say dude, wise up, you don't know what you have."

He admits Kyuss Lives! is a way to help kickstart his solo career. The different name is out of respect to Homme, who has turned down lucrative reunion offers with the pungent explanation that "I'm too proud of it to rub my dick on it". "We can't call it Kyuss without Josh," Garcia says. "Thank God that Brant and Nick have obliged me with their presence."

At the shows there won't be any sand in the drinks or Mexicans bearing acid, but the core of Kyuss's vast, elemental sound will always belong to the heat and dust. "There was a time when your isolation was your advantage," says Goss. "It became how you got together with your friends and planned to get the hell out of there. So the desert was the same kind of bleak isolation for these boys as Birmingham was for Black Sabbath and rainy, dark Seattle was for Nirvana. Remember where this all came from: hanging out with your weird friends in a weird place making weird music because the world is weird, and this is our reaction to it, and this is what it sounds like where we live."

Kyuss Lives! begin their UK tour at Nottingham Rock City on 31 March. Masters of Reality play Download 2011 at Donington Park on 10-12 June. Queens of the Stone Age's debut album has been rereleased by Rekords Rekords.

quinta-feira, 17 de março de 2011

Rede Social e a "modernidade" da Academia

Assisti "A Rede Social", do meu ídolo David Fincher. O filme é bacaninha, e nessas que a gente entende que o cara é bom. Ele pega uma história sem muuuuuitos atrativos, atual, e transforma em algo interessante. Porém, é isso... Só interessante e bem feito. É o suficiente pra ser indicado ao Oscar hoje em dia? Parece que sim. Pra mim os motivos e o que acontece é o seguinte:
- Filmes atuais e independentes agora são indicados só pra academia falar: olha a gente ta na moda
a gente indica filmes super descolados;
- No fim, eles vão lá, cagam no pau e premiam o mais básico e clássico de todos.
Se Oscar fosse coisa séria, o A Origem, Cisne Negro ou o Toy Story ganharia o prêmio de melhor filme. Sim, Toy Story é melhor que filme de época, de superação. Argh. Damn it.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Um capítulo...

... de uma estória que nunca terminei:

"Ou não
“Keep trying for you
Keep crying for you
Keep flying for you
Keep flying for you
I'm falling
I'm falling”
No Ordinary Love – Sade



No momento que ela olhou para baixo, lembrou de tudo que a levara até ali. Vozes à distância misturavam-se e eram trazidas pelo vento como sussurros fantasmagóricos. Estava frio. A pele extremamente fina dos pés arrepiava-se ao tocar o chão e sentir a umidade deixada pela chuva que durara o dia todo. As vozes diziam para ela entrar e ser sensata. Um vento forte trazendo o cheiro do mar levantou seus cabelos e cobriu-lhe o rosto por fios delicados de cor negra profunda, obliterando sua visão por um instante. “Seria melhor eu entrar... não seria?”. Encheu os pulmões. Parecia se preparar para mergulhar no escuro oceano que a circundava a poucos quilômetros, exceto pelo fato de que abaixo tudo que havia era concreto e patéticas figuras gesticulantes. Abraçou a si mesma, sentiu através dos rasgos de sua roupa a pele gelada. Pensou em um peixe. Um peixe se debatendo no concreto lá embaixo. A umidade do chão e do ar parecia impregnar cada vez mais tornando sua outrora macia pele, pegajosa e ainda mais fria que o de costume. “Um peixe”. Mesmo assim, sentia-se bem. Livre. Os pensamentos vindo e indo, leves, transparentes como lâminas de gelo. Tão cortantes quanto. Mas ela estava lá em cima, nada importava, a um passo da liberdade total. Abriu os braços finos e impressionantemente brancos, as mangas rasgadas chicoteando. Inclinou-se mais uma vez e lembrou de tudo. “Seria melhor eu deixar ir... Deixem-me ir... Deixar morrer... Deixem-me...”.
O cabelo grudava em seu rosto e mesmo assim podia-se ver o brilho triste de seus olhos verdes. “Éramos perfeitos. Somos perfeitos”. Não conseguia entender porque estava sozinha. Não entendia porque havia sido deixada. Noites e noites de diversão inebriante, sugando tudo que havia de vida ao redor. Não era assim que deveria ser? Durante dois meses tudo havia sido perfeito. E de repente a paz se foi. “Então você preferiu partir meu coração... Eu deveria ter percebido desde o começo. Sua apatia é o que mais me dói...”. Àquela altura, a dor deveria ter passado, mas ironicamente ainda estava viva dentro dela. Ou seria isso apenas uma lembrança de quando vivia? O vazio é pior que o sofrimento? “Eu deveria ter percebido... dois de nós... juntos... seria perfeito demais”. E ela lembrou de senti-lo se afastando. A distância aumentava enquanto se olhavam nos olhos e afundavam em excesso de sinceridade. Um jogo no qual o perdedor é quem não desvia o olhar. Ele desviou.
Agora ela olhava para baixo. Sabia que não encontraria mais a vida que tinha antes. Não encontraria vida nenhuma lá embaixo, mas sim, deixaria tudo morrer, tudo passar. Tudo que ela não conseguia deixar para trás. Encheu os pulmões novamente. O sol tinha partido havia cerca de meia-hora, mas o céu se recusava a escurecer completamente. “Nada sobreviverá ao impacto... Nada do que insiste em se manter nas minhas memórias”. Meses de tortura física e mental não se comparavam à agonia de estar presa a um sentimento renegado. Jogou os cabelos para trás e levantou os olhos ao céu. Branco como naquele dia. Perfeito. Sentia a falta do contato físico como se aquilo fosse a base para sua vida. Podia senti-lo naquele momento, mais uma vez enganada pelas lembranças. “Preciso deixar ir... Por que você permitiu que eu ficasse assim?”.
Deu um passo a frente e caiu. As pessoas gritavam, mas o som não chegava aos seus ouvidos. O impacto de dez andares devia ser o suficiente. “Você não me entendeu... Justo você...”. Em frações de segundo, sentiu seu beijo que nunca acabara. Eterno. Os lábios apertados. A mente em êxtase. A existência perdia o sentido e nada mais poderia matá-los. Eterno. Era só deixar-se cair. A sensação de estar voando, sem o peso da existência vazia. Nunca mais. Então vieram dois sóis, um garoto gritando, a fúria e o sangue. “O sangue!” Ela viu as pessoas virando os rostos contorcidos esperando o impacto. Segundos que pareciam não terminar. “O sangue!” Uma mulher abaixou-se e cobriu os ouvidos. Um segurança gritava. Ela lembra de ter pensado: “Eu já estou morta”. Então ela parou.
De pé, na horizontal. Na ponta dos pés. A parede era tão áspera e úmida quanto o teto. Se não fosse o barulho do vento as pessoas lá embaixo jurariam que o tempo havia parado. A noite já os abraçava fortemente. As faces paralisadas foram sumindo na tinta nanquim que inundava o mundo. Ela lembrou do sangue. Via em si mesmo. Estava em seu sangue e nada mudaria. Flexionou as pernas, forçou os joelhos, tomou impulso e partiu."

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Os melhores são independentes!

Bom, ta certo que independente nos EUA significa orçamento perto dos $15M maaaaaaaaaaaassssssss... Tem filme aí que custou muito menos! Destaque pra Colin - 74 dólares gasto em pizza.
(lista compilada por Vivi Amaral)

8 Wonderland (Nicolas Alberny, Jean Mach)
A Noite dos Mortos-Vivos (George Romero)
Amnésia e Following (Christopher Nolan)
Amores Brutos (Alejandro González Iñárritu) - $2M
Atividade Paranormal (Oren Peli) - $15Mil
Beleza Americana (Sam Mendes) - $15M
Brilho eterno de uma mente sem lembrança (Michel Gondry) - $20M
Bruxa de Blair (Daniel Myrick/Eduardo Sanchez) - $60M
Cloverfield (J.J. Abrams) - $25M
Colin (Marc Price) - $74,00
Corra Lola Corra (Tom Tykwer)
Cubo (Vicenzo Natali)
Donnie Darko (Richard Kelly) - $4,5M
Distrito 9 (Neill Blomkamp) - $30M
El Mariachi (Robert Rodriguez) – $220Mil
Encontro e desencontro (Sofia Coppola) - $4M
Extermínio (Danny Boyle) - $8M
Fargo e todos os outros dos Irmãos Coen
Filhos da Esperança (Alfonso Cuarón)
Fome Animal (Peter Jackson)
Garotos de Programa (Gus Van Sant)
Guerra ao Terror (Kathryn Bigelow) - $15M
Halloween (John Carpenter)
Heartless – Marca da Vingança (Philip Ridley)
Juno (Jason Reitman)
La Casa Muda (Oscar Estévez)
Mad Max (George Miller)
Mangue Negro (Rodrigo Aragão)
Mar Aberto (Chris Kentis)
Moon (Duncan Jones)
Monstros (Gareth Edwards)
Morgue Story: Sangue, Baiacu e Quadrinhos (Paulo Biscaia)
Napoleon Dynamite (Jared Hess)
O Balconista (Kevin Smith)
O Invasor (Beto Brant)
Os Suspeitos (Bryan Singer)
Pi e Réquiem para um Sonho (Darren Aronoffky)
Precious (Lee Daniels)
Popatópolis (Clay Westervelt)
Pulp Fiction – Tempo de Violência e Cães de Aluguel (Quentin Tarantino)
REC (Jaume Balagueró)
Sexo, Mentiras e Videotape (Steven Soderbergh)
Short Cuts (Robert Altman)
Sideways (Alexander Payne)
Swingers – Curtindo a Noite (Doug Liman) - $200Mil
The Fall – Dublê de Anjo (Tarsem Singh)
The Man From Earth (Richard Schenkman)
Timecode (Mike Figgis)
Trainspotting – Sem Limites (Danny Boyle)
Trilogia da vingança – Mr. Vingança, Oldboy e Lady Vingança (Chan-wook Park)
Tubarão (Steven Spielberg)
Um Estranho no Ninho (Milos Forman)
Um Dia Sem Mexicano

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Curto Circuito


Taí galera! 5 minutos de pura diversão. Foi um exercício que, apesar das desavenças e problemas enfrentados, foi muito interessante de se realizar. O aprendizado foi grande. Divirtam-se:

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Alta tensão no set de "Curto Circuito"

Finalmente eu tenho algo realmente empolgante para escrever no blog e fico demorando para atualizar... shame on me! Então aí vão as novidades. Desde o dia 4 de janeiro deste ano estou cursando o "Intensivo de Férias" da Academia Internacional de Cinema. Quando li intensivo, achei que ia ser puxado, mas... não tanto! Não tive mais tempo pra nada desde então. O curso tem 2 semanas de aulas com professores sensacionais como o Cleumo Segond (fotografia), o Cláudio Gonçalves (direção) e Ana Paul (roteiro), que além de esbanjarem competência, são figuras marcantes. As outras 2 semanas a gente corre, desespera, grita, briga e perde o sono para produzir um curta de 5 min.

Brigas foi o que aconteceu, bastante. Meu grupo demorou pra se acertar. O roteiro mudou. A locação mudou mil vezes. A direção mudou. Não sem estresse e discussões embaraçosas. Lutamos contra egos (inclusive o meu) até que nos acertamos razoavelmente e partimos para a filmagem.

A filmagem do curta aconteceu no tempo exigido pelo curso, 1 dia, no último sábado (22/01/2011). Algo impensável para nosso roteiro, que deveria ter sido filmado com ensaios de atores e de efeitos. Aliás os ensaios não ocorreram porque até mesmo a decupagem final do roteiro foi atrasada pela indefinição da locação. Felizmente conseguimos uma locação na véspera, e fizemos o melhor que pudemos, das 9 da matina às 23:00. Conseguimos inclusive dar conta de efeitos visuais especiais que eu já tinha desistido de fazer.

Ficha técnica
Título original: "Curto Circuito"
Direção: Cristiano Lemos Soares
Direção de Fotografia: Daniel Cortez
Direção de Som: Daniela Perente
Direção de Arte: Mírian Kamioka
Produção: Nicholas Tavares
Gênero: Thriller

Mais notas sobre o dia a dia da produção, incluindo fotos embaraçosas, podem ser vistas no blog do Daniel Cortez.




quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

domingo, 2 de janeiro de 2011

Retrospectiva ou Introspecção?

Eu confundo. Eu confundo pessoas e nomes. Confundo coisas e coisas me confundem. Ontem foi um show de eu achar que tinha falado com uma pessoa, mas era outra. Falei com pessoas pela net achando que eram fulanos e na verdade eram siclanos. Achei que a festa seria família, na verdade foi de amigos (o que não deixa de ser família de alguma forma). As vezes acho que vai ser de um jeito e no fim...

Bom, no fim eu descubro que eu tenho um novo eu, num nível superior. Um "higher self". E ele anda achando tudo tão besteira, tão vazio, que nem procura significado em nada. Pra quem costumava ser intenso em tudo o niilismo bate como um coma. Meus sentidos desacordados. Eu não quero nada... e não é depressão. É porque as coisas são dum jeito que eu não quero e ponto. Sem meu lado intenso, não quero mudá-las.

A esse ponto, a Salles diria: especifique! Sei que virei uma fábrica de bla bla bla abstrato, mas a culpa é da internet. Isso aqui tem audiência (às vezes) e não quero me indispor com ninguém só pra desabafar. Fica sendo um desabafo abstrato.

Meu primeiro café da manhã de 2011, por outro lado, foi muito específico. Chocottone com Epocler. Minha sinusite não tava nem pior nem melhor que ontem. Eu não tinha nada pra me arrepender nem pra me orgulhar.

Uma coisa que eu percebi da minha indiferença é que foi algo que começou por auto-imposição. Meu isolamento na NZ me fez distanciar de pessoas e de comportamentos, me forcei a acostumar com isso. Ou quase. Hoje em dia não me aprofundo em relacionamentos. Por outro lado quando conheço pessoas com as quais me identifico, já crio um laço nostálgico antes de realmente conhece-las. Saudade do tempo que não tive com elas. E do tempo que não vou ter. Já me apresento falando "tchau", me mantenho frio para que elas não esperem nada de mim, já imagino como vai ser quando eu estiver longe.

Se for ver, eu já estou longe.